quinta-feira, 15 de maio de 2008

O PADRE E O SACRISTÃO

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Era uma vez um padre que era tão cheio de si, que gritava de longe quando alguém vinha dirigindo em sua direção pela estrada:
— Saia do caminho, saia do caminho, que aqui vem o padre!
Mas, certa vez em que o padre assim procedeu, quem vinha na direção oposta era o rei em pessoa.
— Saia do caminho, saia do caminho, que aqui vem o padre! - gritou o padre, à distância. Mas o rei continuou vindo, sem desviar, e, por uma vez, foi o padre que teve que ceder o lugar.Quando a carruagem do rei alinhou-se com a charrete do padre, o rei disse-lhe:
— Compareça amanhã ao castelo e, se não souber a resposta às três perguntas que lhe vou fazer, você
vai perder a batina por causa de sua soberba!
Essa era uma ladainha diferente daquela que o padre estava acostumado. Gritar e mandar era com ele mesmo, mas isso de pergunta e resposta era outra questão. Então, o padre mandou chamar o sacristão, que tinha fama de ter melhor cabeça. O padre disse-lhe que não estava muito disposto a viajar até o castelo do rei, porque “um tolo pode perguntar mais do que dez sábios são capazes de responder” ; e convenceu o sacristão a comparecer perante o rei em seu lugar.
E lá foi o sacristão e chegou ao castelo vestido com a batina e o colarinho do padre. O rei o r
ecebeu na sacada, de capa, coroa e cetro, tão vistoso que brilhava à distância.
— Então, você veio mesmo? — disse o rei
— Sim, majestade, aqui estou.
— Diga–me então — disse o rei — qual a distância de leste a oeste?
— É um dia de viagem — respondeu o sacristão, sem pestanejar.
— Como assim? — indagou o rei.
— Bem, o sol se levanta a leste e se põe a oeste, e faz o percurso exatamente em um dia — explicou o sacristão.
— Muito bem- disse o rei — Mas, diga-me, então, quanto acha que eu valho, assim mesmo como estou agora, diante de você?
— Bem...Nosso senhor foi avaliado em trinta moedas de prata, portanto não ouso avaliar Vossa Majestade em mais de...digamos...vinte e nove — respondeu o sacristão.
— Ora, ora! — disse o rei —Já que você é tão sabido e entendido de tantas coisa, diga-me, por fim:no que estou pensando agora?
— Vossa Majestade está certamente pensando estar falando com o padre, mas, Deus me perdoe, está enganado, pois sou o sacristão.
— Então é assim?—disse o rei — Pois volte para casa e, de hoje em diante, você será o padre e ele o sacristão.

Fonte:
Askeladden e outras aventuras; EDUSP.
Isabel Kuhl e Júlia Junqueira - 4ªD



Um comentário:

Anônimo disse...

Kuhl e Júlia,
gostei da história e percebi q a Bia tinha contado para gente ela!
Bia 4ªD