segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Livro, sempre um grande companheiro

Entrevistamos Ana Sylvia Ruy Vieira, mãe da Clara da quarta série e da Dora do primeiro ano. Ela é professora de música no colégio, dá aulas para alunos de quatro a oito anos e é também tecladista/pianista, toca em eventos e acompanha corais. Além de tudo isso, lê muito todos os dias. Ela nos contou um pouco sobre seu hábito de leitura.

Quando começou a ler?
Eu acho que comecei a ler bem cedo, aprendi a ler mais ou menos na idade de vocês, com uns cinco, seis, sete anos. Depois, como os meus pais sempre gostaram de ler e eu tive a sorte de ter uma avó que tinha muitos livros dentro de casa, guardados no armário, continuei. Então, desde pequenininha eu fui pegando o gosto pela leitura e fui me apaixonando, acho que desde os oito, dez anos, eu comecei a ler muitos livros e não parei mais. E é uma das principais formas de lazer que eu tenho até hoje.
O que lhe motivou?
O que me motivou mais foi justamente ter uma família com muitos apaixonados por leitura, minha mãe, minhas tias... Quer dizer, o fato de em casa ter muita gente que gosta de livros ajudou. E os livros são uma viagem, não é? Quando você começa a ler um livro e se apaixona por ele, não quer parar de ler até terminar, e isso é muito gostoso.
De quais livros você gostou mais em sua infância e adolescência?
Bom, eu fui um ratinho de Monteiro Lobato, aquela coleção que todo mundo deve ter lido aqui no Santa: As Reinações de Narizinho, Aritmética da Emilia, todos aqueles livros do Monteiro. Depois, eu tive uma fase Agatha Christie que eu achei muito bacana, aqueles livros de mistério. Então eu comprei um monte de coisas da Agatha Christie. E depois, mais tarde, na adolescência, eu li e gostei muito de Machado de Assis, e aliás há uma exposição aqui na biblioteca muito bacana sobre ele. Quando eu descobri o Machado, um cara muito importante na nossa literatura, me apaixonei por ele e até hoje leio muito Machado.
Alguém lia para você quando pequena?
Minha mãe e minha avó, na hora de dormir. Eu leio para as minhas filhas também.
Hoje em dia, você costuma a ler em média quantos livros por ano?
Olha, não sei, tenho que fazer a conta e o pessoal da biblioteca talvez pudesse me ajudar. Eu empresto muitos livros da biblioteca do Santa. Nas épocas em que leio bastante, são em média dois livros por semana, mais ou menos. Então, digamos, de seis a oito livros por mês, e não sei quantos por ano.
Em que momentos do dia você lê? Onde e durante quanto tempo?
Só na hora de dormir, só consigo ler na hora de dormir e eu não gosto de fazer mais nada, é a minha hora sagrada. Na hora em que pego um livro, eu não gosto de ouvir música, não gosto de barulho, é a hora do dia em que eu relaxo e leio. Neste momento, leio uma hora, uma hora e meia.
Por qual gênero literário você se interessa mais?
Olha, entre prosa e poesia, eu sempre fui mais da prosa. Agora eu estou descobrindo a poesia com os meus alunos pequenos e as minhas filhas, porque aqui na Santa há um trabalho forte com poesia. Assim, comecei a ler poemas infantis, mas eu sempre gostei mais de prosa, crônicas, contos, romances...
Você lê livros que são relacionados com a sua profissão?
Leio alguns livros técnicos, mas esses eu leio durante o dia, sentada, com atenção, grifando, anotando algumas idéias. Mas para relaxar, por lazer, na minha hora de ler à noite, na caminha, com abajur, aí, são livros não técnicos.
Quais são seus escritores preferidos?
Machado, eu andei lendo alguns livros aqui da biblioteca. Eu li também uns livros do Milton Hatoum que a gente tem e também gostei. Agora estou na fase apaixonada pelo Mia Couto, um escritor moçambicano. Eu li um livro dele, achei fantástico a forma inovadora, uma forma diferente que ele escreve e tenho lido todas as coisas do Mia Couto.
Você costuma emprestar ou comprar livros?
Emprestar, sou a principal freqüentadora desta biblioteca e eu gosto de pegar bastante coisa daqui.
Que dica você daria para os leitores iniciantes?
Olha, primeiro, quem é pai e mãe, quanto mais você lê junto com os seus filhos, eu acho que mais ajuda a formá-los como leitor. Essa foi uma sorte minha, de meus pais lerem comigo e dos meus avós também. Eu procurei fazer o mesmo com os meus filhos e eu acho que isso foi super importante, porque elas também foram criando um gosto, uma vontade de ler.
Hoje, elas não precisam mais de mim para ler, cada uma pega seu livro, cada uma tem seus gostos, seus interesses. Então acho que não já adquirirram o hábito. Em algum momento da sua vida, você pode estar mal-humorada, com problemas profissionais, com problemas pessoais, problemas familiares e o livro é sempre um grande companheiro, que basta você colocá-lo no bolso e levá-lo para qualquer lugar. Ele pode te acompanhar em uma viagem, você pode dividir a leitura com os seus colegas, pode recomendar um livro que gostou muito, e isso é muito legal.

Juliana Mauro e Luiza Ponte - 4ª C

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