Viajar de Ouro Preto (no interior de Minas Gerais) ao Rio de Janeiro – as duas principais cidades do Brasil no século XVII – levava pelo menos 12 dias. Hoje, o assunto é resolvido com apenas 50 minutos dentro do avião.E se você é daqueles que reclamam depois de algumas horas dentro do carro e acha que o maior problema daquele tempo era ter paciência para agüentar quase duas semanas de viagem, é porque não tem idéia do quanto elas eram desconfortáveis. Quem fazia a viagem com mais freqüência eram os tropeiros encarregados do comercio de animais – em geral, bois.
Eles iam a cavalo, parando em fazendas para pernoitar. Um dos problemas que enfrentavam – além dos percalços da estrada como lama, mosquitos e bandidos — era levar alimentos que não perecessem numa viagem tão longa. Foi dessas dificuldades que nasceram alguns pratos que comemos até hoje. Um dia, por exemplo, alguém que gostava muito de feijão teve a idéia de misturá-lo com farinha. Assim ficava mais fácil transportar — e o feijão ainda se mantinha conservado por mais tempo. Resultado: nasceu o feijão tropeiro, um clássico da comida nacional.
Quando podiam, as pessoas preferiam ir de navio. Do Recife ao Rio de Janeiro eram 5 dias no mar. Para chegar a Portugal, levava-se pelo menos 2 semanas – e isso quando já havia navios a vapor, que começaram a ser usados com freqüência só na metade do século XVIII. Na época do descobrimento, quando ainda empurrávamos o navio com velas e a força dos ventos, era preciso navegar por meses. Pedro Álvares Cabral, por exemplo, levou 41 dias para chegar ao Brasil — hoje, de avião, o mesmo percurso dura cerca de dez horas.
Com tantas dificuldades, as viagens precisavam ser planejadas com muita antecedência e cuidado. Um dos principais desafios era elaborar a lista de compras para encarar a jornada. O item número um era sempre limão, porque a fruta previne doenças como escorbuto, muito comum entre quem fica sem comer frutas e legumes frescos.
Para matar a sede, o ideal era levar vinho e cerveja, já que água acabava ficando imprópria para o consumo mais rápido que essas bebidas. O problema maior era calcular as quantidades certas. Afinal, era impossível saber com precisão quanto tempo duraria o trajeto (lembre-se, naquela época, tudo dependia da força dos ventos e das águas). Quando a escassez dentro do navio era muito grande, os viajantes se viravam do jeito que podiam. E isso significava comer e beber qualquer coisa. ”Cada homem tinha direito a apenas uma boca cheia d’água por dia. Muitos bebiam a própria urina”, conta um marinheiro em seu relato de viagem dos anos 1800. Ou seja, eles se viravam com qualquer coisa mesmo!
Com tanta dificuldade, viajar se tornava um evento muito raro na vida das pessoas. Tão raro que jornais como The New York Times, um dos mais importantes do mundo, anunciava numa coluna diária o nome de quem chegava e de quem partia. A coisa era para poucos corajosos mesmo!
Fonte: Como fazíamos sem, Bárbara Soalheiro- Panda Books
Lucas Machado e Raul Reis - 4ª B.
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